Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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É dia do Professor

Hoje é dia do professor. A minha mãe, dna. Mary, era professora. Professora muito braba, mas muito querida e respeitada. Minhas queridas tias, tia Mairy e tia Branca, também eram professoras. Nasci no mundo da professorada. Dna Zelia, dna Dula, dna Zênia, as professoras do ensino primário, hoje ensino fundamental, ficaram registradas na memória. Talvez porque elas assumiam um papel de segunda mãe, aquela que ensina, corrigi e também dá amor. Também jamais me esquecerei do mestre Bauer e tantos outros. Professor que na época tinha status de doutor. Hoje o status decaiu e o vínculo com o professor se perdeu. Reflexo de uma sociedade diferente, onde as pessoas estão mais distantes uma das outras, mesmo aqueles que tem mais de mil seguidores nas redes sociais. É um mundo hiper conectado, mas super desintegrado, por mais paradoxal que pareça. Mais virtual e menos real. Confiamos menos uns nos outros e menos ainda nas instituições. Na época da minha mãe e das minhas tias, isso aconteceu a 50 anos atrás, o status era outro e o reconhecimento financeiro também. Um professor conseguia ganhar o suficiente para construir a sua casa própria. A formação também era outra e tinha estrita relação com vocação. Atualmente, tanto o professor, como o aluno beiram a frustração. O aluno criança ainda suporta ir à escola, enquanto lá brinca nos anos iniciais. Depois da 5ª série, quando o vínculo perde força porque não há mais a dedicação exclusiva de um só professor, se inicia o processo de desencantamento geral. Dizem que a escola precisa se reinventar. Acho isso muito bonito, mas acho também que esta reinvenção pode começar por fazer menos e melhor, mais profundidade e menos superficialidade. Partindo do pressuposto que não dá para ensinar tudo e que a escola pode fazer escolhas, junto com os pais, aos meus amigos professores, dentre os quais o amigo Ismael, já dei a minha opinião. Acho que teríamos um Brasil melhor se a escola ensinasse com excelência 4 disciplinas: Português (literatura junto). Matemática, Filosofia e Educação Física. Talvez eu acrescentaria mais uma: Empreendedorismo. O resto tá na Internet. É uma provocação em que me apóio numa teórica simplicidade para enfrentar a complexidade do mundo. Do jeito que a coisa vai, a educação no Brasil vai nos tornar ainda mais desiguais. Parabéns ao meu amigo Ronald pela coragem e por tudo mais! Parabéns aos meus tantos amigos professores que ainda sonham, se preocupam com o futuro de seus “filhos” e trabalham com competência e paixão!

TCA 29 anos

Lá se vão 29 anos de TCA. Somos da época do PC XT, do Plano Collor, do fusca. Por falar em fusca, tínhamos uma frota, do branco ao abacate. Chegar aos 29 anos é motivo de grande alegria e reconhecimentos. Reconhecimento de que o tempo voa, mas não impede de realizar sonhos, mesmo num país ainda muito hostil ao empreendedorismo como é o nosso. É possível reunir pessoas em torno de um objetivo comum, para além do lucro, do qual toda empresa depende para sobreviver. Desde jovens buscamos mais do que vender tecnologia. Buscamos prestar um serviço de qualidade e estabelecer vínculos de comprometimento com nossos clientes e comunidade. Jamais deixamos a região onde atuamos ficar para trás em termos de inovação tecnológica e qualidade no atendimento. Ficamos muito felizes com o sentimento de que a TCA não é exclusividade de seus sócios e funcionários. Cada cliente tem uma participação importantíssima nesta história. É assim que sentimos o carinho que cada um têm por nossa marca. Resta agradecer, especialmente pela confiança, e continuar dando motivos para manter a nossa conexão com muita FIBRA. Um super Muito Obrigado clientes, funcionários, parceiros e nossos familiares!!!

3 soluções para a falta de engajamento

“- Está difícil engajar a minha equipe!” Esta é uma afirmação, com ares de queixa, bastante comum entre os gestores, independentemente do porte e do segmento da empresa. A falta de engajamento é um problema sério e se percebe quando os membros da equipe não cumprem com os processos previamente estabelecidos e não se preocupam em aperfeiçoá-los. Sem processo atualizado, não se tem melhoria contínua e a qualidade necessária para ganhar o mercado. A falta de engajamento também se manifesta no relaxamento que ocorre com relação às metas. Muitos nem se quer sabem ou se lembram das metas da empresa e das suas metas individuais. Enquanto alguns gestores acabam se conformando com a situação e ficam a mercê da sorte, outros não desistem e buscam adotar medidas concretas para reverter o problema. Destaco 3 procedimentos, que bem aplicados viram soluções, para conquistar o tão sonhado engajamento:

  1. Treinamento e conscientização da equipe (conhecimento) : O conhecimento sobre as metas , projetos e processos da organização é ponto de partida para que o engajamento aconteça. A equipe precisa saber o quê, o como e também o porquê.  Junto deste conhecimento, que se conquista com treinamento, vem a conscientização do papel que cada um tem e a sinergia que precisa existir entre pessoas e setores já que numa empresa e na vida como um todo um depende do outro.
  1. Acompanhamento de parte do gestor (monitoramento): Só definir as metas e ensinar os processos e os meios de alcançá-las, não basta. É preciso estar junto, líder e liderados. Estar junto significa estar disponível para ouvir e esclarecer dúvidas e, principalmente, criar uma rotina de reuniões de avaliação e implementações de melhorias, cujas decisões e encaminhamentos acontecem através do consenso, na medida em que todos sabem onde a empresa deseja chegar.
  1. Reconhecimento com participação nos resultados (motivação): Para que as pessoas estejam engajadas precisam se sentir parte importante do todo e, desta forma, motivadas. Quem não gosta de se sentir importante? Porém, para além da importância, a recompensa financeira precisa acontecer. Não basta somente elogios. Para isso, uma ótima iniciativa é implementar um programa de participação nos lucros e resultados.

Estes 3 procedimentos só terão efeito se a empresa preencher alguns requisito, dentre  os quais pessoas com o perfil adequado às atividades e um planejamento estratégico claro que traduza a sua identidade (filosofia).

Ao fim ao cabo, a falta de engajamento não é um problema da equipe, mas sim do gestor. Cabe a ele ser um bom líder e persistir na busca sem fim pelo engajamento de todos.

Dia dos pais

Dia dos pais é dia de dar aquele abraço no “velho”, apesar desse abraço ser justificável todos os dias do ano. Dia de pronunciar aquele sincero e espontâneo: pai, eu te amo! Aqueles que o pai já se foi (e quem se ama sempre vai antecipado) podem comemorar as tantas boas lembranças e, quem sabe, o consolo de terem tido um pai. Aqueles que não tiveram, como é o meu caso, saberão abraçar aquele amigo mais chegado que é pai. E os pais sem pai, quando tiverem filhos, como é o meu caso, poderão agradecê-los por darem a oportunidade de ser pai, sem nunca ter tido. Obrigado filhos por me aturarem e darem a honra de me chamarem de pai! Uma simples palavra é suficiente para suturar um corte, restaurar uma obra, encher um copo vazio. Prazer duplo pela paternidade em si e pela superação. Muitas vezes sem referência se perde a direção. No meu caso, devo ainda um super agradecimento a minha mãe: seja aonde estiver, obrigado mãe por ser tão moderna já 50 anos atrás, quando pelo teu exemplo, ao longo da nossa convivência, me ensinou a ser mãe e pai! Quanta alegria, apesar da dor que a falta traz!!!

Tem jeito

Com um certo grau de otimismo é possível pensar um Brasil melhor, um país menos corrupto, onde se respeite a Constituição, com bons níveis de qualidade em áreas essenciais como saúde, educação e segurança, a exemplo de países tidos como de primeiro mundo. Talvez um país jamais visto, mas ainda somos adolescentes. Num país presidencialista, como é o nosso, o ponto de partida é achar um presidente que de conta das reformas que temos pela frente. Podemos pensar que sozinho ninguém faz nada, mas tudo começa por aquele que manda. O chefe maior da “república”. Um líder de ilibada história, com competência e coragem. Sobre os líderes políticos que temos hoje, o descrédito impera, por isso, o sentimento de que este país não tem jeito. Particularmente, a bem pouco tempo, eu também não acreditava, mas, pensando melhor (bebendo da fonte otimista), encontrei não só uma, mas cinco opções que podem liderar o país que queremos. A primeira opção é importar o presidente Obama, que deixou a presidência dos EUA recentemente, depois de dois mandatos com uma reputação sem arranhões sobre o viés ético. A segunda é contratar o Guardiola, um técnico de futebol inovador e, ao mesmo tempo, disciplinador, que já demonstrou sua competência em conquistar grandes vitórias. A terceira, também na linha do futebol (afinal éramos o país do futebol), seria eleger o Tite como presidente, já que tem apoio de todos e, como bom estudioso, pode compensar a falta de cintura política. A quarta opção é colocarmos na presidência o Joaquim Barbosa ou o Sérgio Moro, com ambos (acho que) teríamos a chance de fazer a faxina necessária e extirpar aquela máxima de “levar vantagem em tudo”. Como estas quatro opções são totalmente improváveis, apresento a quinta. A quinta é aguardar um milagre, afinal, Deus é brasileiro e, mais cedo ou mais tarde, vai dar um jeito. Até lá, fico me perguntando: o que estou fazendo para ajudar o meu país a ser um lugar melhor para os meus filhos? Cada um pode encontrar um jeito. Marcos Kayser

Não tem jeito

Talvez seja porque já cruzei a barreira dos 50 e sabem da minha visão crítica, mas é incrível como me perguntam sobre o que vai ser de nós brasileiros com esta nossa política. Minha resposta, curta e grossa, é de que este nosso país não tem jeito. Não há nenhuma perspectiva de mudança, enquanto continuar sendo comandado por quem faz da política uma profissão, meio de sobrevivência e enriquecimento. Foram espertos ao criar um sistema muito bem arquitetado, fechado e imune a qualquer interferência da sociedade. A alta tributação que sacrifica a todos, enche os cofres do governo e financia a corrupção; a centralização dos poderes num só lugar que torna todo poderoso quem está em Brasília; o sucateamento de setores essenciais como saúde, segurança e educação; o assistencialismo como mecanismo de dependência, o pluripartidarismo como balcão de negócios, são alguns dos fundamentos do sistema. Se reduzissem os impostos, enxugassem a máquina pública, reformassem a previdência, desburocratizassem e minimizassem o Estado, privilegiassem a educação, dessem mais poder aos estados, reduzissem os partidos a uma meia dúzia, um raio de luz surgiria no final do túnel escuro em que o Brasil e nós brasileiros nos encontramos. Quando uma destas mudanças ocorrer, me avisem, por favor, pois estarei com muito prazer revendo a minha falta de expectativas. Fazer tudo isso e mais um pouco seria muito fácil, bastaria vontade política e humildade para reconhecer que chegamos ao fundo do poço (só para usar outra metáfora). Boa parte das soluções para os problemas vigentes não carecem ser inventadas, basta copiarmos modelos vencedores de países chamados de primeiro mundo, dentre os quais a Alemanha e a Suécia. E aí vem a pergunta que eu não me canso de fazer e muito me preocupa: o que será da nossa gurizada? Começo a dar o braço a torcer aos que falam que a saída é o aeroporto. Ao mesmo tempo sou um apaixonado pelo Brasil e gostaria de resistir bravamente. 

30 Ações para Salvar o Brasil

Fiz a minha lista de pedidos ao novo governo. Alguns  são polêmicos, mas não precisa fazer tudo! Um pouco já vai deixar o país mais justo e eficiente:

  1. Fim das emendas parlamentares e das verbas de gabinete
  2. Fim do foro privilegiado
  3. Fim dos ganhos complementares (privilégios como auxílio moradia) para todos os poderes
  4. Redução do número de partidos políticos para dois (situação e oposição)
  5. Obrigatoriedade de curso superior para presidente, senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores
  6. Direito a uma única possibilidade de reeleição em todos os níveis
  7. Todas as eleições no mesmo ano
  8. Criação de um limite para cargos de confiança e número de ministérios e secretarias estaduais e municipais
  9. Fim da indicação política para o STJ
  10. Redução do número de municípios (limite mínimo: 5000 habitantes)
  11. Limitação de um salário mínimo de remuneração para vereadores em cidades com menos de 50.000 habitantes
  12. Concentração do maior percentual da arrecadação nos estados e municípios
  13. Centralização de todos os serviços sociais nos estados e municípios
  14. Criação do imposto sobre o lixo e redução do número dos demais impostos
  15. Limitação da carga tributária à 24% do PIB
  16. Aumento de impostos para as grandes fortunas
  17. Fim das férias de 30 dias, substituídas por 15 dias
  18. Fim da CLT, substituída por acordos entre empregadores e trabalhadores
  19. Fim da estabilidade do emprego na esfera pública
  20. Idade mínima para aposentadoria: 70 anos
  21. Policia civil e militar unificadas
  22. Permissão do porte de armas
  23. Pena de morte para crimes hediondos
  24. Fim da regressão de pena
  25. Exigência de trabalho para o preso que garanta o seu sustento
  26. Priorização das disciplinas de matemática, português, filosofia e educação física no ensino fundamental
  27. Retorno do ensino profissionalizante junto ao ensino médio
  28. Implantação de um plano de remuneração variável para professores por meritocracia
  29. Informatização plena dos órgãos públicos, incluindo o Judiciário, onde as audiências iniciais poderiam ser feitas à distância
  30. Controle da natalidade para quem recebe o bolsa família e é menor de 18 anos

Impeachment: momento de preocupação

Voto SIM, voto NÃO, pelo impeachment, contra o golpe, são as manifestações dos nossos representantes no Congresso, votando no processo de impeachment da presidente Dilma. Quem fala em golpe, se esquece do golpe aplicado pela presidente nas eleições, que ocultou dos brasileiros a situação da economia em frangalhos, pelas escolhas equivocadas da sua equipe. Particularmente, acho que o momento é de preocupação, mais do que comemoração. Estamos numa situação muito delicada, sob o aspecto político e econômico, sendo que um depende do outro. Sob o aspecto político vivemos um contexto onde não confiamos naqueles que votaram a favor nem contra. Dá para acreditar em Dilma, Lula, Temer e Cunha? Minha pouca esperança está concentrada no poder judiciário. Com a ajuda da Polícia Federal e do Ministério Público espero que a Lava Jato avance e prenda quem roubou e continua roubando do Brasil e ainda recupere as fortunas desviadas. A operação Lava Jato, e outras, com similar finalidade, precisa avançar, a ponto de instituir, pelo medo, uma nova moral, de respeito ao Estado. Até lá o Brasil vai precisar gestar novos políticos. Uma geração na qual o crime não compensa. Uma geração que rejeita o famoso “rouba, mas faz”. E a economia? Bem, a economia só vai ser recuperada com consistência, se nossos políticos provarem que votaram pelo impeachment, pensando de fato no país, para além das rivalidades. Um bom indício é se votarem as urgentes reformas (política, administrativa, trabalhista, previdenciária,…). Será? Eu duvido!  Simplesmente porque eles não conseguem separar o público do privado. Exemplo disso é que grande parte dos nossos deputados votam em nome do pai, da mãe, do cônjuge, dos filhos, dos netos, dos bisnetos e por aí vai. Não conseguem abrir mão do privado em benefício do público e não seria o momento de evocar a intimidade familiar. Desta forma dificilmente vão agir sem colocar seus privilégios pessoais em primeiro lugar e continuarão alimentando a cultura do desvio, do “jeitinho brasileiro”. Quem dera puder neste momento estar comemorando. É deprimente e, para quem tem filhos pequenos, é ainda mais preocupante. Talvez, o melhor caminho fosse convocar novas eleições para presidência, ainda neste ano, também para senadores e deputados. Seria uma demonstração de desprendimento pelo interesse privado e um convite para resgatarmos a confiança nos políticos brasileiros. Sonhar é livre!

Marcos Kayser

10 anos de Agenda Paranhana 2020

O Brasil é um país muito grande, com uma diversidade de culturas e problemas estruturais proporcional ao seu tamanho. Querer mudar o país como um todo, com foco em Brasília, é tarefa complexa, quase impossível. Mas se começarmos pelas cidades onde moramos? Foi pensando assim que em 2006, espelhando-se na Agenda 2020, com apoio da Pólo-RS, iniciou no Vale do Paranhana uma Agenda Estratégica que reuniu pessoas e sonhos. Empresários, profissionais liberais, funcionários públicos e da iniciativa privada, prefeitos, vereadores, juízes, promotores, padres, pastores, enfim, representantes de toda a sociedade, definiram metas e projetos, com o objetivo de tornar o Paranhana uma região de primeiro mundo.  Metáfora que, resumidamente, significa um lugar com qualidade de vida, onde se tenha saúde, educação, segurança e infraestrutura de qualidade.  Entendíamos que trabalhando de forma integrada, setor público e privado, poderíamos construir uma região melhor para se viver,  independentemente das condições do Estado e do país. Duas premissas eram imprescindíveis: integração e planejamento. Neste ano de 2016, a Agenda Paranhana 2020, como é conhecida, completa 10 anos e a utopia continua distante. Idese e IDH, índices que medem o desenvolvimento, tiveram melhoras insignificantes e, em muitos casos, ficam abaixo da média do que se poderia considerar bom, inclusive abaixo da média do Estado. Alguns projetos pontuais como o Portal da Transparência, os Campeonatos de Xadrez e o Prêmio Professor Inovador foram realizações positivas, motivadas e organizadas pelo movimento. Muitos encontros serviram como tentativas de buscar a tão necessária integração entre as partes interessadas. Fóruns envolvendo delegados de polícia, juízes, promotores e representantes da sociedade foram exemplos disso. Parece ter ficado claro para os participantes, representantes da sociedade civil, que da integração não podemos abrir mão. Já para os gestores públicos, dos quais depende a grande maioria dos projetos, o entendimento parece não ser o mesmo, pelo que se vê na prática. Para se ter uma ideia, os municípios não conseguem nem se quer ter um calendário de eventos comum. Vários deles se sobrepõem. Também não conseguem criar uma rede de saúde pública, integrando todos os hospitais (e olha que saúde é prioridade). Nos últimos anos, a CICS-VP (Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana), em parceria com a AMPARA (Associação dos Municípios do Paranhana), buscou mudar a estratégia, compartilhando a coordenação da Agenda com os prefeitos, quando cada assumindo um tema. Foi feita a primeira reunião e, desde então, não se tem mais notícia da Agenda. Lembrando que em eventos realizados em praça pública, os prefeitos assinaram um termo de compromisso com a Agenda, quando eram candidatos. O termo, mais uma vez, colocava o planejamento estratégico municipal como uma prioridade. Até hoje, a comunidade não foi chamada para conhecer os projetos prioritários, com seus orçamentos e prazos de execução. Assim, sem planejamento e sem integração, continuamos com uma economia pouco diversificada, índices de desenvolvimento baixos e serviços públicos precários. Por que não pensar e agir como se o Paranhana fosse uma grande cidade? Juntos construir soluções para os problemas que são os mesmos. Depois de 10 anos de sonhos e tentativas, na condição de um dos idealizadores e coordenadores da Agenda Paranahana 2020, estou deixando a função de comandante, mas prosseguirei  soldado.  Para não ficar de mal com a minha consciência e, principalmente, com os meus filhos, continuarei exercendo o meu dever de cidadão, participando da Agenda e cobrando soluções de quem nos representa e tem o poder na mão. Continuo acreditando que a felicidade de um depende da felicidade do outro e, por mais individualista que seja, mais integrada a nossa sociedade precisa ser. Só assim podemos conquistar algum tipo de felicidade. Agradeço aos voluntários e colaboradores da Agenda e aos colegas da CICS-VP, por terem me dado esta oportunidade!

Marcos Kayser

 

 

A arte do encontro

Quando experimentamos algo bom, um desejo insaciável, que pede mais e mais, nos invade. Algo que nos remete à eternidade. Gostaríamos que aquele momento não tivesse fim. As religiões se fundamentam neste desejo bem humano de viver para sempre. Todas prometem vida eterna, só mudam os rituais e as formas. Plantas e animais parecem ficar para trás, afinal, pelo que conhecemos destes seres, eles não tem a mesma sorte da gente, quanto a consciência da própria existência. Consciência da vida e também da morte. Quando encontramos o amor, o desejo de perpetuar se torna ainda mais evidente. Amor de pai e mãe,  amor de amigo, amor de amante. Amores onde a entrega não cobra nenhuma recompensa. Amamos gratuitamente. Dar sem a pretensão da troca, quando muito, e não poderia deixar de ser diferente, o desejo de um encontro. Na letra da música Samba da Benção, Vinicius de Moraes diz que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro”. Na mesma letra Vinícius nos diz que a alegria é a melhor coisa que existe, mas “é preciso tristeza para fazer um samba com beleza”.  Remetendo isso para a vida, podemos pensar que é preciso tristeza para viver uma vida com beleza. É na tristeza que muitas vezes nos damos conta da beleza da vida, enquanto arte de encontrar. E é no encontro do o amor que chegamos no supra sumo da vida. Mas não pensemos que ele é só prazer e alegria. Ele é também tristeza e dor. O mesmo Vinícius fala de encontro e desencontro, de tristeza e beleza. Oposição, sem a qual o próprio ser não se sustenta. O calor só é calor por causa do frio. O dia da noite. A esquerda da direita. O prazer da dor. Por isso, que o amor, apesar de todo o sofrimento inerente, precisa ser festejado. Primeiro porque nem todos conseguem encontrá-lo de verdade, segundo porque ao encontrá-lo podemos realizar o desejo de viver para sempre em plena luz da existência, pelo menos este é o sentimento e a sensação daquele momento em que o amor é vivenciado. Parabéns aos que conseguem amar e, desta forma, celebrar a eternidade em plena existência! Eu me considero um felizardo e só tenho a agradecer aqueles que até aqui me proporcionaram tantos felizes encontros!

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