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Acesse o Google e procure por “Egito”. Talvez apareçam fotos de pirâmides ou sugestões para um roteiro de viagem. Peça para um amigo fazer o mesmo usando o computador ou o celular dele. Os resultados provavelmente serão outros, como notícias sobre os conflitos políticos da região.

O fenômeno ocorre porque a ferramenta de busca apresenta não necessariamente o que o usuário quer, mas o que a própria máquina interpreta como relevante para ele. Cada indivíduo recebe um pacote personalizado de informações, o que pode ser tão benéfico quanto temerário.

O filtro invisível da internet

Essa particularidade da rede vem sendo trabalhada por diferentes especialistas, a exemplo do pesquisador português Francisco Rui Cádima. No livro Comunicação e Linguagem: Novas convergências, ele explica como as bolhas da internet funcionam.

O autor destaca que o buscador do Google e o News Feed do Facebook utilizam filtros. Os algoritmos se alimentam de rastros digitais, como os sites que o sujeito acessa ou os posts que curte nas redes sociais. A partir daí, vai-se moldando o conteúdo que aparecerá adiante.

Em outras palavras, o material que cada um de nós recebe varia conforme nosso perfil e o dos amigos próximos. Por exemplo: quanto mais interagimos com alguém, trocando likes ou conversando via inbox, mais essa pessoa estará visível nas navegações futuras.

Existem propósitos comerciais por trás dessa lógica. Pense nas listas de recomendações da Netflix ou da Amazon. Ao acumular dados com as experiências prévias do consumidor, as plataformas podem sugerir séries, filmes e produtos semelhantes. As chances de acerto aumentam.

Parece uma situação cômoda para ambos. O cliente poupa esforço na hora de escolher um novo título para maratonar. Já a empresa garante a lucratividade para continuar prestando o serviço. Porém, nem sempre as consequências são tão inofensivas.

Bolhas na web: estamos mais intolerantes?

Em palestra na conferência TED, o ativista Eli Pariser aponta os desdobres sociais das bolhas digitais. Ele também explora o tópico no livro O Filtro Invisível: O que a internet está escondendo de você.

Segundo Pariser, o problema é que os algoritmos não possuem o mesmo senso de ética que os humanos.  Os programas não conseguem ler o conteúdo de maneira crítica, tampouco abrem espaço para perspectivas contrárias.

Sem a curadoria de jornalistas, professores ou outros formadores de opinião, some a discordância. Com isso, há cada vez menos provocações, desafios ou desconfortos nos nossos círculos pessoais. Perdem-se a pluralidade, os outros pontos de vista, as chances de debater, aprender e conviver com a diferença de pensamentos.

É comum passar por situações assim. O colega de trabalho vive manifestando ideologias políticas absurdas. O primo distante não para de publicar elogios sobre determinado time de futebol, enquanto torcemos para o rival.

Há quem compre briga e bata de frente. Porém, muitas vezes, o unfollow e o block são recursos menos desgastantes. Ajudam a “limpar” a timeline e evitam conflitos.

Acontece que esse alívio cria a falsa sensação de vivermos entre gente parecida. Numa redoma virtual, todos pensam da mesma maneira e curtem-se mutuamente. Nesse contexto, perde-se a vergonha. Sentimo-nos seguros para vociferar os mais controversos impropérios, como explica o psiquiatra Aaron Balick em entrevista à BBC.

Em meados do século XX, a filósofa alemã Elisabeth Noelle-Neumann definiu a teoria da Espiral do Silêncio. De acordo com ela, as pessoas guardam convicções impopulares para si mesmas, por medo da exclusão social.

Nas relações mediadas pelo computador, essa barreira se enfraquece. Falamos para meia dúzia de seguidores – e eles, por concordarem conosco, curtem e compartilham o post. É como se o mundo inteiro estivesse do nosso lado. Aos poucos, dizem os pesquisadores, vamos desaprendendo a lidar com as contradições, as nuances e a complexidade da sociedade.

4 passos para sair da bolha

Felizmente, é possível reverter os efeitos nocivos dos algoritmos e fazer a tecnologia trabalhar a nosso favor. Confira algumas sugestões:

  1. Volte a seguir quem você bloqueou. Um panorama mais diverso da realidade contribui para qualquer debate. Se os ânimos se acalorarem, tente dar uma pausa e respirar. Contudo, não exclua completamente as visões opostas à sua.
  2. Modifique as configurações. Você pode navegar numa janela anônima do browser, sem estar logado na conta do Gmail. Dessa forma, os resultados de busca mudarão. Outra medida é alterar o feed no Facebook para visualizar as postagens mais recentes em vez das “top stories”.
  3. Varie suas fontes. Não se atenha às informações que circulam no Facebook ou no Twitter. Procure acessar diferentes sites de notícias. Ouça podcasts. Assista a documentários. Caso o assunto seja polêmico demais, procure ouvir diferentes lados da situação. Os argumentos ajudarão você a formar uma opinião mais ponderada.
  4. Desconfie do que lê. Muito material que circula na rede é falso ou tendencioso. Histórias escandalosas e cheias de adjetivos entram nesse grupo. Na dúvida, pesquise em portais como E-Farsas, Boatos.org e Agência Lupa.

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