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“Tempestade solar afetará sistemas de telecomunicações.”

“Surto de febre amarela é farsa criada para vender vacina.”

“Cantora de funk consegue R$ 5 milhões via Lei Rouanet.”

“Menina cega ganhará R$ 0,10 por cada compartilhamento deste post.”

“Plástico causa 52 tipos de câncer.”

Essas manchetes não são verdadeiras, mas andaram circulando em posts do Facebook e correntes de WhatsApp. Você já deve ter lido algo parecido.

Quem espalha conteúdo assim pode até ter boas intenções. Trata-se de um amigo ou parente que busca proteger as pessoas queridas e alertá-las sobre as ameaças da sociedade. Não é à toa que as mensagens falsas sempre apelam para assuntos que mexam com as emoções humanas: violência urbana, corrupção, desastres naturais.

O problema é que tal comportamento gera mais transtornos que benefícios.

O perigoso alcance das fake News

Relembremos um caso emblemático. Em 2014, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi linchada por dezenas de moradores do Guarujá, no litoral de São Paulo. Um boato publicado na web dizia que a mulher sequestrava crianças para praticar magia negra.

Com o retrato falado de Fabiane circulando pelas redes sociais, não demorou até que alguém a reconhecesse na rua. Ela foi amarrada a um poste e espancada até a morte. A mentira custou a vida de uma inocente.

Outro tema que altera ânimos é a política. Isso porque todo leitor carrega preconceitos e ideologias consigo. Por mais impreciso e fantasioso que seja um texto, o material serve para corroborar as ideias que a pessoa já tem – e não para estimular um debate a partir de fatos concretos.

Um exemplo evidente foi a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Se a vitória do republicano foi boa ou ruim para aquele país, fica a critério dos analistas. A questão é que, durante a campanha, parte da opinião pública foi influenciada por calúnias a respeito de Hillary Clinton, a adversária democrata.

Houve histórias sobre supostas acusações criminais contra a candidata. Em outro artigo popular, alegava-se que o Papa Francisco apoiava Trump.

Muito disso foi inventado por adolescentes da Macedônia. Eles não tinham qualquer preocupação com política internacional. Apenas queriam gerar tráfego para seus sites e lucrar com anúncios publicitários. Conseguiram.

Entidades russas também interferiram na campanha estadunidense de 2016. Foram cerca de 80 mil posts falsos no Facebook, que atingiram em torno de 126 milhões de usuários num período de dois anos. A própria empresa alega que falhou por ter demorado em reconhecer o problema.

Como identificar notícias falsas na internet

Existem iniciativas para desestimular o avanço das notícias falsas. A morte de Fabiane Maria de Jesus motivou um projeto de lei que prevê penalidades para quem usar a internet como meio de incitar crimes.

No entanto, a maneira mais sensata de prevenir a boataria é adotando hábitos cautelosos. O Senado Federal mantém um trabalho periódico, nas redes sociais, para orientar a população. Confira o organograma.

Ao receber uma mensagem bombástica de sua tia ou de seu colega de trabalho, convém verificar os seguintes pontos:

1. Ortografia

Erros de grafia e construções que fujam à norma padrão da Língua Portuguesa indicam que o texto não foi escrito por um profissional. É provável que se trate de uma brincadeira.

2. Alarmismo

Fake News apelam para teorias conspiratórias, do tipo “leia antes que deletem” ou “a mídia não quer que você saiba disso”. A linguagem costuma ser carregada de adjetivos – incomuns no jornalismo – para despertar raiva e indignação.

3. Contexto

Muitos boatos começam com “o governo divulgou” ou “deu na TV”, mas não citam data nem origem da informação. Eis mais um motivo de desconfiança. É necessário saber quem disse aquilo, quando e onde.

4. Fonte

Deve-se observar a página na qual a reportagem foi publicada. Jornais famosos e sites oficiais possuem mais credibilidade. Vale lembrar que alguns portais de humor simulam conteúdo informativo, mas sem compromisso com a realidade.

5. Circulação

Caso a mesma mensagem apareça em vários locais, é sinal de “copia e cola” sem apuração. Fatos importantes recebem cobertura da imprensa e cada site tem uma abordagem diferente.

6. Data

Mesmo notícias reais ficam descontextualizadas com o tempo. Projetos de lei, manifestações e outras ocorrências de anos anteriores, volta e meia, são compartilhados sem a devida atualização. A data do post é um elemento chave.

7. Profundidade

Alguns títulos são propositalmente distorcidos para chamar atenção do público. No corpo do texto, verifica-se que o assunto não era tão grave assim.

8. Bom senso

Na dúvida, o melhor é não compartilhar. Pode-se, ainda, recorrer a serviços de fact checking, o cruzamento de dados para averiguar a veracidade das informações. Entre eles, estão a Agência Pública, a Agência Lupa, o Aos Fatos, o Boatos.org e o E-Farsas.

Ou seja, você pode até sentir vontade de passar uma notícia absurda adiante. Porém, não use sua conexão para compartilhar ódio e calúnias na velocidade de um clique. Invista seu tempo curtindo seus jogos preferidos ou assistindo suas séries favoritas nos programas de streaming com os Planos de Fibra Ótica da TCA e aproveite o melhor da internet.